Drielle Sá
(Abro hoje um espaço no blog para uma pequena reflexão)
Aqueles que acompanham as novidades e barbaridades midiáticas com frequência, provavelmente já assistiram alguma vez o polêmico quadro “Pergunte para a Maisa”, apresentado por Sílvio Santos aos domingos em seu canal. O quadro põe à frente das câmeras uma menininha, mais que conhecida do Brasil a essas alturas, de apenas 7 anos para conversar sobre os mais diversos temas com Sílvio Santos, o grande empresário conhecido pelo sucesso de seus empreendimentos e pela musiquinha “Sílvio Santos vem aí! lalalalala!”
Como bom empresário de um veículo de comunicação de sucesso, Sílvio sabe muito bem quais ingredientes deixam um bom mingau midiático atraente: mistura dinheiro, jogos de pergunta e resposta, animadores de público e crianças prodígio e, voilà! A grande mistura disforme da TV brasileira começa a ganhar um gostinho especial.
Mas a que custo?
No quadro de domingo passado, Maisa saiu do palco chorando pelo segundo programa consecutivo. Convenhamos que à garota faltam alguns limites, mas é esse o grande tempero do mingau, e Sílvio mais do que faz questão de exagerar na dose. Vale a pena conferir a reportagem da Folha sobre a opinião de psicólogos que analisam a posição em que a menina é colocada para divertir o público.
Entretanto, se há quem mantenha o programa que exige uma postura de menina prodígio a uma criança de 7 anos de idade, certamente é porque a resposta ao quadro está sendo rentável.
Até quando daremos espaço para esses sensacionalismos e abusos à dignidade de um ser humano, independente de sua idade, sexo, cor ou crença, que aparecem constantemente em todos os veículos de mídia?
Até quando exporemos pessoas a situações incômodas e ridículas em nome de lucros maiores no fim do mês?
Até quando colocaremos outros seres da nossa própria espécie para lidar com bizarrices, para depois cobrirmos essas vergonhas públicas com tecidos coloridos, músicas doces e risadas da platéia?
O ser humano me assusta com tanta racionalidade.