Exame indica deficiência em aprendizagem de formandos das Escolas de Medicina de São Paulo
Número de reprovados em exame do CREMESP chega a 61% em sua quarta edição.
Por Larissa Ocampos

Desde 2005, o CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) aplica uma prova aos estudantes do sexto ano de medicina das universidades públicas e particulares do estado.
No último exame, realizado em agosto e setembro de 2008, 61% dos 679 participantes não foram aprovados para a segunda fase da prova. Este é o maior índice de reprovação desde o ano em que foi criado, quando registrou que 31% dos formandos não passaram na prova.
O coordenador do exame e conselheiro do CREMESP, Bráulio Luna Filho, em entrevista ao jornal O Globo, disse que o sistema de avaliação tem sido aperfeiçoado e assim, houve um aumento na quantidade de reprovados.
“Em São Paulo, imaginávamos uma aprovação de 80%, mas não é isso que se constatou. Nos dois primeiros exames, em que ainda não sabíamos fazer uma avaliação eficiente, o resultado já foi ruim. Conforme amadurecemos o exame, o cenário ficou ainda pior”, afirma Bráulio.
Isso mostra que os alunos de medicina apresentam algum tipo de deficiência em seu aprendizado? Será que têm o perfil de bichos-preguiça? É difícil de acreditar quando se sabe o quanto eles estudaram para passar no vestibular. Talvez existam também deficiências nas instituições de ensino, o que deve diminuir, visto que o Ministério da Educação tem avaliado e fechado os cursos de medicina considerados ruins em todo o país.
Vale lembrar que a participação do exame, diferentemente do “Exame de Ordem” da OAB, não é obrigatória e não é um pré-requisito para a obtenção do livre exercício médico. Por este motivo, ainda hoje existe uma grande resistência à prova e algumas faculdades chegam a boicotá-la.
Apesar disso, a avaliação feita é estatisticamente significativa, visto que o número de formandos participantes chega a representar 30% do total de alunos formados em Faculdades de Medicina de São Paulo.
Porém, o CREMESP não se diz obrigado a criar uma prova na qual o reprovado não tenha direito a seu registro (CRM) médico. Segundo a instituição, a obrigatoriedade do exame deve ser uma preocupação do Congresso Nacional.
O que resta à população, por enquanto, é ter um pouco de sorte na hora de se consultar com um médico desconhecido. E se o paciente tiver alguma dúvida, deve procurar as opiniões de outros especialistas antes de tomar uma decisão acerca de sua saúde. Quem sabe, no futuro, os alunos aprendam mais e tenham maioria aprovada no exame.